Qual é a história dos códigos de barras?

Os códigos de barra podem dar a impressão de que são um aspecto bastante recente do panorama atual de negócios. A verdade, porém, está bem distante disso. Ela remonta a um antepassado bem curioso, especialmente se você gosta de história ou trabalha com informática. Se você pensa que estamos falando do cartão perfurado, sua resposta está certa.

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A ideia por trás dos códigos de barras é bastante simples: conceder a um produto uma identificação exclusiva, capaz de informar um número considerável de informações sobre ele. Essa sempre foi a parte fácil da ideia. Por outro lado, o conjunto da obra demorou muito tempo e exigiu esforços combinados de muitas pessoas para ser alcançado.

Os primeiros personagens para consultar códigos de barras: Silver e Norman Joseph Woodland

O esboço de um dos sistemas de maior sucesso corporativo nos últimos tempos (o código de barras) nasceu de forma completamente acidental, em 1948. Um estudante universitário da Filadélfia, Bernard Silver, ouviu a conversa entre um dos reitores do Instituto de Tecnologia de Drexel e o diretor de uma rede comercial do segmento alimentício.

O comerciante solicitava uma pesquisa capaz de desenvolver um sistema com a habilidade de ler automaticamente os produtos que chegassem ao caixa, automatizando, dessa forma, o pagamento. Animado, Silver compartilhou a conversa com um colega, Norman Joseph Woodland, que instantaneamente foi seduzido pela proposta.

Sua atração pela ideia foi tanta que o estudante logo abandonou suas atividades no instituto para dedicar-se inteiramente à ideia. A primeira versão utilizava tinta ultravioleta, mas além de ser um recurso caro, a tinta desbotava com muita facilidade.

history-of-barcode-image-1024x911Isso não desmotivou Woodland. Pelo contrário, fez com que se mudasse para o apartamento de seu avô, na Flórida, e sacasse suas economias, advindas do mercado de ações, para trabalhar ainda mais no projeto. A inspiração seguinte veio a partir do código Morse. Seu primeiro código de barras foi composto de areia da praia, que ele unia e afastava em uma tentativa de criar padrões de leitura. A leitura seria feita a partir da tecnologia de leitura das trilhas sonoras de cinema, apenas adaptada para os códigos.

Quando Woodland e Silver efetuaram os ajustes necessários para finalizar o sistema, a dupla conseguiu patenteá-lo em 1952. Então, a IBM fez uma oferta para comprá-la, que foi recusada por ser considerada muito baixa. Em 1962, a Philco fez a oferta mais próxima ao que ambos esperavam, obtendo os direitos sobre a invenção.

Código de Barras e os esforços de Collins no segmento ferroviário

Enquanto isso, outro segmento buscava soluções para a automatização de processos. Entre as empresas com essa demanda estava a Pennsylvania Railroad, que empregava um estudante chamado David Collins. O funcionário logo percebeu a necessidade de identificar vagões ferroviários com facilidade. Ao receber seu título de mestre pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em 1959, Collins se dedicou a solucionar o problema.

Usando fitas refletivas azuis e vermelhas, que eram fixadas na parte externa dos trens, o sistema de Collins empregava um identificador de seis dígitos para empresas e quatro dígitos para o vagão. As faixas refletiam a cor e eram captadas por um leitor que as filtrava de acordo com a luz emitida, vermelha ou azul.

O sistema foi tão bem-sucedido que não demorou muito para que outras companhias ferroviárias o adotassem. No entanto, a crise econômica do país forçou o abandono do método, mesmo que 95% dos trens já estivesse devidamente identificado.

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Código de barras: dos trilhos do trem para a tecnologia de informação

Em 1967, satisfeito com o sucesso do sistema desenvolvido para a malha ferroviária, David Collins teve a ideia de desenvolver o projeto para um formato em preto e branco (o que os leitores de códigos de barras leem hoje J). Segundo seus estudos, a ideia poderia servir com o mesmo êxito a outros segmentos corporativos. A direção argumentou que o sistema vigente era caro o bastante. Além disso, a diretoria não via razão para uma tentativa de extensão dos negócios.

Por essa razão, Collins deixou a companhia no mesmo ano, quando fundou a Computer Identics Corporation, acumulando inovações. Uma das primeiras as lâmpadas de luz do sistema por lasers a base de hélio e neon. A integração de um espelho ao leitor de códigos possibilitava a identificação dos códigos de barra a uma distância consideravelmente maior. O processo não só tornou a tecnologia mais simples e confiável, mas também tornou possível a leitura de códigos danificados, como os que haviam sido rasgados ou amassados.

A empresa de Collins instalou um de seus primeiros leitores de códigos em 1969. O evento se deu na cidade de Flint, no Michigan, ocorrendo das dependências da General Motors, responsável pela produção do clássico modelo Buick. A segunda experiência bem-sucedida foi na área de logística. Uma companhia da Nova Jersey, a General Trading Company, implementou um sistema de códigos de barras para direcionar remessas ao ponto de distribuição certo, no centro localizado na cidade de Carlstadt.